Número oficial de mortos no rompimento da barragem em Brumadinho é de 134

Continuam desaparecidas 199 pessoas. Assembleia de Minas e Câmara dos Deputados recebem pedidos de abertura de CPI para investigar tragédia.

Chegou a 134 o número confirmado de mortos em Brumadinho; 199 pessoas continuam desaparecidas. Os investigadores trabalham com diversas hipóteses para tentar descobrir o que provocou o rompimento da barragem.

Cada passo ficou mais complicado com a forte chuva que caiu na região de Brumadinho durante a madrugada. São 11 dias trabalhando sempre no limite da exaustão. Por causa da chuva, toda a área ficou extremamente alagada, tornando ainda mais difícil o trabalho dos Bombeiros. Em um ponto, segundo eles, a lama chega a 15 metros de profundidade e, por isso, eles tiveram que trabalhar com extremo cuidado, redobrando a atenção, por causa dos riscos.

O tempo só permitiu o uso de helicópteros no início da tarde; 15 escavadeiras e máquinas pesadas e também os cães farejadores enfrentaram uma lama bem mais encharcada. Mas a chuva pode ajudar.

“Em um primeiro momento, ela nos atrapalha porque limita a condição de deslocamento das aeronaves. Porque ela diminui a visibilidade dos pilotos de helicóptero. Por outro lado, a água vai revolver o fundo desse curso d’água que foi formado e vai nos permitir fazer outros resgates”, declarou o tenente-coronel Anderson Passos.

Três deputados mineiros protocolaram, nesta segunda-feira (4), na Assembleia Legislativa do estado, pedidos para instalação de Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar a tragédia de Brumadinho. Na Câmara e no Senado, também já tem pedidos de CPI para investigar as causas do rompimento da barragem.

A Justiça de Minas negou os pedidos de liberdade para os três funcionários da Vale e dois engenheiros da empresa TUV SUD Brasil, que participaram da elaboração de projetos de estabilidade da barragem que se rompeu. Eles são investigados por crimes ambientais, homicídios qualificados e falsidade ideológica.

Numa reportagem exibida neste domingo (3), no Fantástico, professores de engenharia prepararam uma maquete para mostrar o que aconteceu na barragem que estourou em Brumadinho e explicar o que pode ter provocado o rompimento. A barragem era do modelo a montante, considerado menos seguro. Segundo a mineradora, ela não recebia mais rejeitos e estava em processo de desativação. Na simulação, os professores usaram uma mistura de areia, sílica e água para imitar o rejeito de minério e despejaram na maquete. Em seguida, ela se rompe.

“Está então infiltrando, fazendo um processo que a gente chama de piping. Esse processo vai causar uma erosão interna”, explica Kurt André Pereira Amann.

A erosão interna pode levar para uma segunda etapa: a liquefação. É quando, na mistura de água com rejeito, a água passa a predominar e a barragem, que era sólida, vira líquida. Na simulação, a água vai se infiltrando até que ocorre o rompimento.

Fernando Cesar Ribeiro, professor de engenharia da FEI, especialista em monitoramentos de estruturas, diz que uma barragem, antes de se romper, sempre dá sinais: “Sinais que não estavam sendo percebidos. Eventualmente, por conta da falta de um monitoramento adequado, nenhuma atitude pode ser tomada, nenhum alerta emitido. Alguns sinais sempre são colocados. Os projetos devem ter esse tipo de cuidado”.

Os investigadores apuram se obras na barragem, detonações de rocha na região ou o acúmulo do volume do lençol freático podem ter contribuído para o rompimento da estrutura. A apuração quer também identificar se nascentes a montante da barragem que se rompeu estariam lançando muita água para o interior dela, a partir do topo.

Para tentar responder a tantas perguntas, os investigadores também analisam as imagens registradas por câmeras da própria Vale, que mostram o momento exato em que a barragem da mina do Feijão se rompeu, 11 dias atrás.

O professor da UFMG Evandro Moraes da Gama, engenheiro de minas e geólogo, chama a atenção para algumas manchas localizadas nas pontas da barragem e na parte de baixo dela.

“Na ombreira da barragem, a gente vê as manchas já encharcando de água. Me chamou a atenção as manchas que acontecem antes da ruptura. E depois, essas fraturas laterais da ombreira da barragem. Isso significa que a sustentação dela foi perdida. Provavelmente gerou água, a liquefação do solo”, explicou.

A Vale afirmou que a barragem tinha um laudo atestando a estabilidade dela. Ainda segundo a mineradora, a estrutura era monitorada por 94 piezômetros – equipamento que mede a pressão da água -, sendo 46 automatizados. Tinha também 41 indicadores de nível de água. Segundo a Vale, as informações eram coletadas periodicamente e os dados analisados pelos geotécnicos responsáveis pela barragem.

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