REVOLTA DO SERRO (século XIX)

Praça João Pinheiro – Serro-Mg aprox. 1950

A revolta do Serro foi uma rebelião articulada na cidade de Serro, Minas Gerais, no ano de 1864. Os depoimentos de algumas testemunhas e pessoas implicadas ajudaram a esclarecer sua estrutura. Os insurretos contavam com o apoio dos quilombolas ou, como eles diziam, “da rapaziada sujeita das matas”. O levante tinha como objetivo a “liberdade dos cativos”, segundo depoimento do escravo Adão, um dos líderes e principal responsável pelo aliciamento de adeptos. A cidade de Serro foi o palco dessas articulações. Os escravo rebeldes fizeram contatos com aqueles de Diamantina e com os cativos das fazendas e lavras vizinhas. Planejavam atear fogo em algumas casas e, quando os brancos estivessem distraídos na tarefa de extinguir as chamas, assassinariam “todos quantos chegassem e por meio dessa insurreição obteriam a liberdade”. Contudo, a movimentação dos escravos logo chamou a atenção das autoridades, principalmente do delegado da cidade, Jacinto Pereira de Magalhães Castro. A delação, como aconteceu com a maioria dos levantes de escravos, não tardou: Vicente, “cabra” escravo de Francisco Cornélio Ribeiro, cientificou as autoridades do que estava acontecendo. Com a delação e a consequente prisão dos principais implicados, ficou-se sabendo da organização e finalidade do levante. Haviam-se associado aos quilombolas que atuavam nas matas adjacentes para uma ação conjunta e coordenada. Utilizavam um sistema de senhas para que ambos os lados participantes da revolta (quilombolas e escravos das senzalas) atacassem simultaneamente. A senha para o dia do levante era “a gente de João Batista Vieira estava pronta e que os de cá ainda estavam à toa, que a galinha está morta e pronta e só faltava assar”. Isso significava, segundo depoimento de um dos implicados, “fugirem para o sertão mas ao mesmo tempo fazer uma porcaria na cidade de Serro com a rapaziada (quilombolas)”. Após as inúmeras prisões, iniciaram-se os processos contra os envolvidos. O escravo Adão foi condenado às galés por vinte anos. Outro acusado, o branco Herculano Barros, foi absolvido por falta de provas; todas as testemunhas arroladas no processo acharam-no incapaz de se meter em “súcias de escravos”, ou de “aconselhar escravos para semelhante fim” . Pelo que se conclui dos manuscritos, duas eram as tendências dos escravos no levante de Serro: internarem-se no sertão após a revolta, transformando-sem em quilombolas, ou continuarem na cidade, exterminando seus senhores. Uma das testemunhas declarou textualmente que “o plano foi combinado no lugar denominado Escola, na fazenda Sesmaria, entre José Cabrinha, Nuno e Demétrio e ajustaram que José Cabrinha viesse entender-se com Adão e do resultado mandasse avisar a Nuno na fazenda de Magalhães (denominada Liberdade) e este depois de entender-se com Adão mandou dizer a Nuno que isto por cá estava tudo pronto e muito bom que ele lhe mandasse notícias de lá. Declarou mais de que quando Nuno declarou que tinha ido à fazenda Sesmaria e propôs a José Cabrinha o plano de fuga, este lhe respondeu que tinha coisa melhor, e era o plano de insurreição e então ele, Nuno, que tinha conversado com Adão sobre a fuga e que ele José Cabrinha viesse se entender com Adão que é um rapaz ativo e astucioso sobre a insurreição, pois que ele, Nuno, estava pronto e que ele só arranjava uma boa porção de escravos por estas oito léguas em redor.” No final presumivelmente haviam chegado a um acordo que envolveria as duas táticas; tanto a de Nuno, que era pela insurreição no Serro, como a dos escravos José e Demétrio, que defendiam a fuga para o sertão. Não chegaram a pôr o plano em execução.

Fonte: https://www.facebook.com/JonalOpressorSerroMG/posts/734762396970121

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