Projeto da Anglo American é rejeitado por comunidades de Santo Antônio do Itambé

No dia 24 Set 17 aconteceu a Assembleia Popular da Mineração, na comunidade do Botafogo, em Santo Antônio do Itambé-MG, organizada por moradores locais e o Movimento pela Soberania Popular da Mineração (MAM) de Conceição do Mato Dentro e Alvorada de Minas. O objetivo do evento foi a conscientização dos impactos que poderão ser promovidos através do projeto de mineração na região idealizado pela empresa Anglo American.

As comunidades rurais da cidade estão preocupadas com o projeto que a Anglo American visa implantar na região, serão aproximadamente 830 mil litros de água por dia, que serão utilizados na produção do material. Fora a questão da água, existem outras questões impactantes que acarretarão na cidade com o tempo, como poeira, mau cheiro, barulho, rebaixamento do lençol freático, instalação de barragem de rejeitos, etc. Esses impactos, afetarão as comunidades locais, resta saber, se os órgãos competentes farão consulta popular a fim de aprovar esse “caos generalizado”.

“Aqui não chove há tempos meu filho, como nós vamos fazer se implantarem isso aí? Minha plantação vai secar” Foi o que disse uma senhora preocupada com a escassez hídrica vivida na região. É lamentável que em tempos de crise, os governos deliberarem projetos que atinjam as nascentes, rios, cachoeiras, com explosões intermináveis, destruindo a natureza e colocando em risco a vida do mais necessitado.

A água, recurso necessário para a sobrevivência do ser humano, vem sendo tratada com total desrespeito pelos órgãos competentes em Minas Gerais, que, alimentado pelo capital e ego, descumprem seus ofícios e fingem que nada de mal está ocorrendo, mas não se preocupem,quando o caos se tornar realidade, seus filhos e netos vão respirar o mesmo ar poeirento e vão tomar a mesma água contaminada, servida atualmente, somente para os pobres.

“Ahhh vamos fazer um projeto de mineração sustentável”“Aqui vai ser diferente, vamos trazer muitos empregos para a região”, olha o que Conceição do Mato Dentro está passando atualmente. As comunidades adjacentes ao Minas-Rio estão sendo ignoradas pela Anglo American, que os empurra com a barriga até ser aprovada a licença de expansão.

Foi muito gratificante participar do evento, as pessoas saíram unidas e cobrarão com mais rigor as questões relacionadas a natureza como um todo. Não podemos deixar a natureza de lado! Senão ela também nos deixará!

No final do evento, o grupo de teatro denominado Revolução da Juventude, composto por adolescentes de Conceição do Mato Dentro e Alvorada de Minas, realizaram a peça teatral “Mineradora CALE: a vida muda!” Que contou o caso fictício do “Gilberto”. Um senhor que é sempre demitido e recontratado pelas suas terceirizadas, permanecendo pobre e sem tempo para aproveitar sua família.

 

Audiência Pública no Jassem escuta atingidos pelo Minas-Rio e alcança o objetivo

No dia 29 de agosto, ocorreu no distrito de São José de Jassem, em Alvorada de Minas, Audiência Pública, tendo como tema: as condições de vida das comunidades residentes abaixo da barragem de rejeitos da Anglo American. Com o objetivo de ouvir, prioritariamente, os integrantes das comunidades residentes a jusante da barragem de rejeitos, quanto aos impactos provocados pelo empreendimento minerário, nas suas condições de vida.

“- Queremos Reassentamento”; “- Não dá mais pra viver com medo”; “- Os peixes estão morrendo, como vou beber essa água”; “- Queria que um dos representantes da empresa morasse abaixo da barragem“; “- Estamos cercados e sendo vigiados todo dia”; “- Só queremos ser reconhecidos como atingidos”; “- Perdemos o direito de ir e vir”; “-Cadê nosso direito à informação”; “- Estamos sendo tratados como bicho”.

São frases chocantes, como estas acima, que permaneço defendendo e mostrando a realidade para os desavisados conceicionenses que, manipulados pela empresa e cegos pelas promessas, fazem do seu direito de emprego um escárnio às pessoas marginalizadas e simplórias, que residem adjacentes ao empreendimento Minas-Rio.

Literalmente é um absurdo o que essas pessoas estão passando. Será que ninguém os reconhece? Será que estão abandonadas? A resposta é não. Em verdade, afirmo que estamos ficando cada vez mais fortes e unidos para resolver e equilibrar a balança desproporcional da força.

Juntamente com o Ministério Público Estadual e Federal, representado pelos Drs. Helder Magno; Marcelo Mata Machado; Luís Gustavo Bortoncello e Luiz Tarcízio; os atingidos ganharam força na reta final para o acerto de contas com a empresa. Não dá mais para as pessoas viverem sem água e abaixo da barragem, a situação está ficando cada vez mais irreversível e quando liberarem o dito “step 3”, com a expansão da mina, como eles ficarão? Vão esperar alguém morrer, bebendo água contaminada para reconhecerem?

Quem me garante que a barragem é 100% segura? A barragem de fundão não atestaram e mesmo assim rompeu? E se romper esta? Quanto tempo levaria para a lama atingir o Jassem? Como um idoso, num intervalo de minutos ou talvez segundos, vai organizar sua família para subir um morro gigante? “É só eles fazerem treinamentos diários”, disse um vereador de Serro. As pessoas que vivem lá não têm culpa, Sr. vereador!

Saindo por Conceição, me deparei com uma pessoa que disse: “É só eles saírem, essas pessoas querem dinheiro, por isso estão lá”. Meu amigo, esqueceram de te falar que antes da empresa chegar, o Jassem já existia! Os atingidos não são contra a mineração e o emprego, só querem justiça! Serem reconhecidos e saírem do lamaçal que já se encontram!

Por meio de seus representantes, a empresa não quis responder às perguntas suscitadas naquele momento, mas declarou estar disponível para diálogo.

 

 

Empreendimento Minas-Rio ganha batalha no COPAM-MG com bastante polêmica

A situação no Brasil está ficando cada vez mais tendenciosa para o lado econômico. O governo em crise esquece totalmente o meio ambiente e pensa somente em tampar seus rombos gerados pela corrupção.

Por 14 votos a 2, o empreendimento Minas-Rio da Anglo American, venceu mais uma batalha no COPAM-MG com bastante polêmica em um evento que durou mais de 6 horas e sem respostas conclusivas dos técnicos responsáveis ou irresponsáveis pela condução do nosso bem comum, que é a natureza.

No decorrer do evento, foi perguntado aos “responsáveis” se havia, até o presente momento, alguma condicionante descumprida pelo empreendimento. Após muita enrolação, os técnicos assumiram que restavam algumas condicionantes descumpridas, mas mesmo assim foram desfavoráveis ao recurso dos atingidos.

Os peixes próximos ao empreendimento estão morrendo e a natureza ao redor está explodindo literalmente. Mas não, eles pensam somente no dinheiro! A pergunta que eu faço é: Como modificar o sistema de forma justa e igualitária para a não interferência estatal em ocasiões desta natureza?

É fato que o Brasil vive numa crise sem precedentes e que o governo precisa tomar medidas para estruturar financeiramente a nação, mas a que preço? Precisamos realmente vender a moral e nossa natureza para equilibrar a balança econômica?